Bayron & Helena

E se você tivesse todo o tempo do mundo, imagine-se vagando através dos anos, dia após dia, presenciando muitos dos maiores episódios da humanidade, conhecendo milhares de pessoas desde o nascimento até o fim de seus dias, vendo aqueles que você aprendeu a amar partirem para nunca mais voltarem. Não é fácil ter que recomeçar tudo denovo a cada fim de geração. Então a única solução que resta para pessoas como eu, é conviver apenas com os que são iguais a nós. As décadas são tão breves nessa maldição, não é fácil conter a loucura que já me cercou muitas vezes.
Porém até os mais longos dos destinos reservam grandes irônias. E até então não havia encontrado algo que desse um maior valor aos meus dias sem fim.

Capitulo I
Noite

De todos os corações que aprisionei no meu, apenas o dela não me era transparente, somente ela não me permitiu enchergar seu verdadeiro eu. Dizem que os iguais a mim tem o grande poder de seduzir com os nossos olhos ferózes, mas como definir um olhar que seduziu um desses olhares ferózes?
Olhares cor de mel, impressos sobre aquele rosto de anjo, que me olhavam com um sorriso um tanto tímido, que a princípio não soube o que fazer ou o que dizer. Como e por que ela cruzou meus caminhos naquele dia? Tantas perguntas sobre um anjo. Sua singularidade inegável ficou tatuada na minha memória, e por noites me peguei sonhando acordado com sua beleza. As recordações de sua expressão se fizeram realidade, quando tão inesperadamente quanto a primeira vez em que a vi, a reencontrei no meio daquela multidão, então ela caminhou em minha direção, quando me atreví a perguntar o seu nome:
- Seria impossível esquecer um rosto tão singular, e somente por essa lembraça é que pergunto, qual teu nome moça? - Olhando-me com aquele sorriso, que me transmitia a paz por qual busquei durante um século, disse-me:
- Só direi o meu nome quando souber o seu. - Retribuindo-lhe o sorriso, obedeci a sua condição.
-Bayron.
-Helena.
-Dança comigo Helena?
-Porque não, você não me parece ameaçador Bayron. -Brincou comigo. Então segurei em sua mão pela primeira vez, senti o calor de sua tão comum humanidade que me fazia tão bem mesmo sem nem a conhecer, ainda. Dançamos calados por alguns segundos, logo a música acabou, e ela não soltou a minha mão, assim como eu não soltei a dela, até que iniciou-se uma outra música, quando suavemente iniciei-me:
-Lembro de você naquela estação. Porém, bem sei que não me notou e deve estar tentando se lembrar de algo para não parecer rude, não é mesmo? - E ela me surpreendeu -
-Lembro-me de você, encostado no portão do lado mais escuro, só havia você daquele lado. Estava de casaco prêto e levava uma mochila certo?
- Nossa! Você lembra, é engraçado não é? Mas porque com tantas pessoas naquela estação, no hrário de fim de aula, em que todos saem de uma só vez para voltarem para casa, você notou justo a minha presença?
-Porque só havia você naquele lado, e porque você me olhava quando eu também te olhava. Por acaso adivinhava toda vez que eu ia virar o rosto para você? - Risadas tomaram conta, quando começou uma terceira música, esta que na letra falava sobre duas pessoas que inevitávelmente iriam se encontrar, e se apaixonar. Ela acompanhava essa música baixinho, eu podia escutar a sua voz que invadia meus ouvidos, e antes que ela concluísse a última frase do refrão:
- E das estrelas...- Eu invadi sua fala -
-Eu te devolverei o brilho que elas roubaram de você. - Então foi como se tudo silênciasse em nossa volta, eu já não ouvi mais nada a não ser a sua pergunta:
- Quem é você Bayron?
- Sou alguém que pode estar no seu destino...- Ela olhava fixamente com aquele olhar de anjo nos meus olhos, e eu a beijei, e ao ganhar também o seu beijo, me senti mais quente e vivo.
Nós passamos a noite juntos, e ter aquele abraço foi algo do qual eu nunca tinha conseguido. Não foi assustador, apenas mágico. Caminhamos pelas ruas de mãos dadas perto daquela festa, o son da música ia ficando mais baixo conforme nos apróximavamos de uma ua que tinha um lugar beirando um pequeno precipício. Dava para ver as luzes da pequena cidade. Conversamos assuntos superficiais sobre a vida dela, e eu, sempre me esquivando das respostas às perguntas que ela fazia sobre a minha vida. Ficamos sentados ali na grama que findava o calçamento daquela rua vazia, contemplando as luzes da festa e da cidadesinha banhada pela lua cheia, quando ela disse que tinha que voltar para festa:
-Minhas amigas estão me esperando, infelizmente tenho que voltar com elas para casa.
- Quando o momento é tomado de perfeição parece até que as horas não existem, não é mesmo Helena? - Sorrindo brandamente, pôs sua mão quente em meu frio rosto:
- Você é encantador Bayron, é como se eu te conhecesse já há muito tempo sabia? Seu é tão comum para mim, e ao mesmo tempo tão encantador.
- Vai ver nós não nos conheciamos, mas nossos corações sim. - Ela sorriu com timidez -
- Não sei...Só sei que me senti a vontade com você. - Sorriu mais uma vez e me beijou.
Logo foram chegando outros casais por ali, chamavam aquele barranco de A Rua dos Namorados, e por conicidcência uma das amigas dela, passeando com o namorado, também chegou e a chamou. Então Helena segurou minha mão com mais força, me deu um abraço forte:
- Adorei conhecer você.
- Espero que tenhamos mais momentos como este Helena. - Ela simplesmente:
- Idem... - Soltou a minha mão e caminhou lentamente em direção à amiga olhando para mim, quando voltou correndo, e pulou me dando um abraço:
- Nossa! - Aos risos retriuí o seu abraço tão mágico, que vinha seguido de mais um beijo, só que esse foi diferente e mais intenso que os outros. Em seguida me olhou nos olhos profundamente, então eu disse:
- Nos veremos denovo Helena.
- Quem me garante que você não é só mais um desses garotos conquistadores? -Sorrindo me olhou, e sorrindo eu respondi:
- O seu olhar é que garantiu isso.
- Nossa, não sabia que o meu olhar tinha tanto poder.
- Nem eu, mas agora eu sei.
- Então, onde eu o verei denovo?
- Eu te acharei. - Beijei-a e desfizenmos aquele abraço, ela mais uma vez caminhou em direção a amiga, olhando para mim, e quando se destraiu um pouco, e olhou para amiga, e retornou a olhar em minha direção, estou certo de que ela ficou pensando em como eu tinha sumido tão rápido.


Domingo/Pensamentos me invadem!

...O que você fez?
O que você jogou em meu interior com aquela expressão constante que ludibriou meus pensamentos ao olhar em sua infinitamente bela face...
Hoje me vejo desejando seu encontro todos os dias. E o delirio daquela noite em que nos tocamos não sai de minha lembrança...
Esses seus olhos de mistério te denúciam de uma forma da qual não encontro a concreta e única resposta a respeito de quem realmente e definitivamente seja você.
Só sei que não paro de te desejar, te aprisionei no meu coração imortal e em minhas noites eu rezo por mais um encontro...
Porém ainda não te reencontrei.

...to be continued...

quarta-feira, 16 de junho de 2010 às 09:58

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